Sumário

CAPÍTULO II

Estratégia Nacional

O Brasil que Queremos Construir


O Brasil é rico em ativos e ainda pobre em realização. A pergunta estratégica deixou de ser quanto potencial o país possui. Passou a ser quanto custa continuar deixando esse potencial sem realização.

Poucos momentos da história reuniram tantas transformações estruturais ocorrendo simultaneamente. A inteligência artificial inaugura uma nova fronteira de produtividade. A transição energética reorganiza investimentos e cadeias industriais. A competição geopolítica redefine fluxos de comércio, tecnologia e capital. A corrida pelo conhecimento acelera a disputa por talentos e inovação.

Poucos países chegam a essa transformação histórica com os ativos de que o Brasil dispõe. Esses ativos sempre estiveram presentes. O que mudou foi o mundo, e com ele, a dimensão das oportunidades que o Brasil pode capturar.

Essa convergência cria uma oportunidade histórica que talvez não volte a ocorrer nesta escala.

A diferença entre as nações que prosperam e aquelas que permanecem estagnadas não está apenas na qualidade de seus ativos. Está na capacidade de transformá-los em realização. O custo de permanecer onde estamos não aparece apenas nas estatísticas de crescimento. Manifesta-se na riqueza que deixamos de produzir, nas empresas que deixam de nascer, nos investimentos que deixam de chegar, nos talentos que deixam o país e nas oportunidades que nunca alcançam a maioria da população.

Durante décadas, parte do debate brasileiro apresentou crescimento econômico e igualdade de oportunidades como objetivos concorrentes. A experiência internacional demonstra exatamente o contrário. Sociedades que ampliam oportunidades desenvolvem mais talentos, inovam mais, produzem mais e prosperam mais. Sociedades mais prósperas dispõem de mais recursos para ampliar oportunidades.

Prosperidade e igualdade de oportunidades não pertencem a agendas diferentes. Formam um mesmo ciclo virtuoso.

Essa transformação depende da decisão de remover as barreiras que hoje limitam o desenvolvimento das capacidades das pessoas, das empresas e das instituições. Transformar biodiversidade em bioeconomia, energia limpa em competitividade, conhecimento em inovação e poupança em investimento significa converter ativos existentes em prosperidade compartilhada.

O Brasil reúne condições para inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento, não porque esteja diante de um milagre histórico, mas porque dispõe dos recursos necessários para construí-lo. O que determinará esse resultado será a capacidade de realizar as mudanças que o país já reconhece como necessárias.

É sobre essas condições de realização que trata o próximo capítulo.