Sumário

CAPÍTULO IX

Sustentabilidade

Bioeconomia, Transição Energética e Prosperidade


A sustentabilidade deixou de ser apenas um compromisso ambiental. Tornou-se uma das maiores vantagens competitivas do Brasil no século XXI. O desafio nacional já não consiste em escolher entre desenvolvimento e preservação. O desenvolvimento brasileiro passa pela sustentabilidade.

O Brasil reúne um conjunto de ativos naturais sem equivalente entre as grandes economias do mundo. A maior biodiversidade do planeta, uma das matrizes energéticas mais limpas, abundância de água doce, enorme capacidade agroambiental, recursos minerais estratégicos e condições excepcionais para produção de energia renovável formam uma plataforma singular de desenvolvimento.

Esses ativos, entretanto, não geram prosperidade por si mesmos. Como em toda esta Agenda, o principal desafio consiste em remover as barreiras que impedem transformar vantagens comparativas em vantagens competitivas permanentes.

A bioeconomia representa uma das maiores oportunidades de agregação de valor disponíveis ao país. Biodiversidade deve transformar-se em medicamentos, biomateriais, novos alimentos, química verde, propriedade intelectual, pesquisa científica, empresas inovadoras e empregos qualificados.

A transição energética amplia essa oportunidade. O Brasil reúne condições excepcionais para liderar a produção de energia limpa, hidrogênio de baixo carbono, combustíveis sustentáveis e novas cadeias industriais intensivas em tecnologia.

Sustentabilidade não limita a prosperidade.

Ela amplia sua capacidade de crescer de forma duradoura.

Ao mesmo tempo, sustentabilidade exige credibilidade. Mercados ambientais, créditos de carbono e mecanismos de compensação somente produzem valor quando sustentados por regras claras, transparência, integridade e elevada qualidade institucional.

Da mesma forma, a proteção dos biomas brasileiros deixa de ser apenas uma política ambiental. Passa a integrar uma estratégia nacional de desenvolvimento. Combater o desmatamento ilegal protege o patrimônio natural, amplia a credibilidade internacional, fortalece mercados, atrai investimentos e preserva uma das maiores vantagens estratégicas do país.

A transição para uma economia de baixo carbono também exige responsabilidade social. Nenhuma transformação dessa dimensão será sustentável se abandonar trabalhadores, regiões ou setores produtivos. A transição precisa combinar previsibilidade, qualificação profissional, inovação e novos investimentos capazes de ampliar oportunidades.

O Brasil possui condições únicas para transformar sustentabilidade em uma das maiores plataformas mundiais de geração de riqueza, conhecimento e liderança internacional. Essa não é uma aposta no futuro. É uma vantagem que já existe e precisa ser realizada.

Transformar esses ativos em prosperidade constitui uma das decisões estratégicas mais importantes desta Agenda.

Uma sociedade sustentável depende, antes de tudo, de uma população saudável. É sobre esse desafio que trata o próximo capítulo.