Sumário

CAPÍTULO VIII

Tecnologia e Inovação

Inteligência Artificial, Inovação e Soberania


A inteligência artificial não constitui apenas mais uma tecnologia. Ela inaugura uma nova infraestrutura de desenvolvimento. Assim como a eletricidade transformou a economia industrial e a internet redefiniu a economia da informação, a inteligência artificial passa a reorganizar produtividade, inovação, ciência, educação, saúde, segurança e competitividade.

Por isso, este não é um capítulo isolado da Agenda. É um capítulo transversal. As políticas aqui apresentadas potencializam praticamente todas as demais.

O Brasil reúne condições excepcionais para participar dessa transformação. Dispõe de mercado interno relevante, matriz energética limpa, universidades de qualidade, centros de pesquisa, ecossistemas empreendedores em expansão e uma população reconhecida por sua capacidade de rápida adoção de novas tecnologias.

Esses ativos, entretanto, não garantem liderança. Sem formação de talentos, infraestrutura digital, capacidade científica, ambiente favorável à inovação e segurança jurídica, o país continuará consumindo tecnologias desenvolvidas por outros em vez de produzir soluções próprias.

A inteligência artificial amplia as capacidades das pessoas, das empresas e do Estado.

Na educação, personaliza a aprendizagem e amplia a capacidade dos professores. Na saúde, acelera diagnósticos, melhora decisões clínicas e reduz o tempo de espera. Na segurança pública, fortalece inteligência, prevenção e capacidade investigativa. Na indústria, amplia produtividade, reduz desperdícios e acelera inovação. Na gestão pública, melhora planejamento, transparência e qualidade das decisões.

Seu impacto depende menos da tecnologia em si do que da capacidade da sociedade de incorporá-la de forma responsável.

Por isso, a prioridade nacional deixa de ser apenas desenvolver tecnologia.

Passa a ser desenvolver capacidades.

O Brasil precisa formar, em larga escala, profissionais capazes de utilizar inteligência artificial em todos os setores da economia. Precisa fortalecer a pesquisa aplicada, ampliar a infraestrutura computacional, proteger dados estratégicos, desenvolver aplicações próprias e criar um ambiente em que empresas brasileiras possam competir globalmente.

A soberania tecnológica tornou-se parte da soberania nacional.

Países incapazes de produzir conhecimento tornam-se crescentemente dependentes das decisões tecnológicas tomadas por outros. A Agenda propõe que o Brasil deixe de ocupar uma posição predominantemente consumidora de tecnologia e passe a atuar como produtor de soluções, aplicações e conhecimento.

O objetivo não é competir com as maiores plataformas globais em todos os segmentos. É desenvolver competências próprias onde o Brasil reúne vantagens comparativas e condições efetivas de liderança.

A inteligência artificial representa uma oportunidade histórica para acelerar o desenvolvimento nacional. Aproveitá-la dependerá menos da velocidade das máquinas do que da velocidade com que desenvolvermos as capacidades das pessoas, das empresas e das instituições brasileiras.

As tecnologias do século XXI encontrarão sua maior vantagem competitiva quando dialogarem com o maior patrimônio estratégico do país: sua biodiversidade, sua matriz energética limpa e sua capacidade científica.

É sobre essa convergência entre desenvolvimento e sustentabilidade que trata o próximo capítulo.