Sumário

CAPÍTULO XII

Inserção Internacional e Protagonismo Brasileiro

O Brasil na Nova Ordem Internacional


O Brasil deixou de atuar em um ambiente internacional relativamente estável. A reorganização geopolítica, a competição tecnológica, a disputa por cadeias produtivas estratégicas, a segurança energética, a inteligência artificial e a crescente rivalidade entre grandes potências alteraram profundamente o contexto em que o país buscará prosperidade nas próximas décadas.

A política externa deixa de constituir apenas uma dimensão diplomática da ação do Estado. Passa a integrar a estratégia nacional de desenvolvimento. A inserção internacional do Brasil deve ampliar simultaneamente prosperidade, soberania, inovação e capacidade de realização.

O país detém recursos que poucas nações dispõem, mas os subutiliza na arena internacional. Transformá-los em vantagens competitivas permanentes é a condição para uma inserção muito mais ambiciosa do que aquela construída até aqui.

Por essa razão, diplomacia, política industrial, inovação, defesa, educação, sustentabilidade, ciência e tecnologia deixam de atuar como agendas paralelas para integrar um único projeto de fortalecimento da posição brasileira no mundo.

A relação com as grandes democracias e com os principais polos econômicos deve orientar-se permanentemente pelo interesse nacional. O Brasil precisa ampliar sua integração econômica, diversificar mercados, fortalecer acordos internacionais, preservar sua autonomia estratégica e participar ativamente da construção das novas regras internacionais.

Diversificar relações internacionais significa reduzir vulnerabilidades. Concentrar exportações, investimentos ou cadeias produtivas em poucos mercados aumenta riscos que deixam de ser apenas econômicos para assumir dimensão estratégica.

A soberania também assume novos significados. Continua territorial, mas passa igualmente a ser tecnológica, energética, alimentar, científica, digital, ambiental e econômica. Preservá-la significa ampliar continuamente a capacidade nacional de decidir livremente sobre seu próprio desenvolvimento.

Essa estratégia exige igualmente uma diplomacia renovada. O Itamaraty preserva sua tradição de profissionalismo, equilíbrio e respeito ao direito internacional, ampliando seu papel como articulador das capacidades nacionais. Empresários, pesquisadores, universidades, centros de inovação, investidores, cientistas e lideranças da sociedade civil passam a integrar permanentemente esse esforço de projeção internacional do Brasil.

Ao mesmo tempo, fortalecer a soberania exige uma capacidade de defesa compatível com a importância estratégica brasileira. Defesa nacional protege território, infraestruturas críticas, sistemas digitais, recursos estratégicos e a liberdade de decisão do Estado. O objetivo não é ampliar tensões, mas fortalecer a capacidade de dissuasão e preservar a autonomia nacional.

O Brasil reúne condições excepcionais para ocupar posição muito mais relevante na economia e na governança internacionais. Transformar essa possibilidade em realidade dependerá, mais uma vez, da capacidade de realizar as mudanças que o país reconhece como necessárias.

As doze frentes desta Agenda convergem para um único objetivo: transformar ativos em prosperidade, prosperidade em igualdade de oportunidades e igualdade de oportunidades em um projeto nacional permanente.

É essa convicção que conduz à conclusão desta Agenda.